Insalubridade para quem limpa banheiro: Quem tem direito e como receber?

Quem limpa banheiro tem direito a insalubridade?

Sim, na maioria dos casos quem faz a limpeza de banheiros tem direito ao adicional de insalubridade.
Esse adicional é um valor extra no salário no valor atual de 2025 de R$ 607,20 (seiscentos e sete reais e vinte centavos) que equivale a 40% do salário mínimo (R$ 1.518,00) pago a quem trabalha exposto a agentes nocivos à saúde.

O que é o adicional de insalubridade

O adicional de insalubridade é uma compensação financeira paga ao trabalhador que exerce atividades em condições prejudiciais à saúde.

Quem tem direito ao adicional de insalubridade por limpar banheiro

Tem direito ao adicional de insalubridade o trabalhador que limpa banheiros de uso coletivo, especialmente quando há contato com lixo, urina, fezes, produtos químicos e microrganismos.

Alguns exemplos de profissionais que geralmente têm direito:

  • Auxiliares de limpeza e serviços gerais em empresas e escolas;
  • Zeladores e copeiros que limpam banheiros de uso comum;
  • Trabalhadores que limpam banheiro de shoppings, repartições públicas e hospitais, estádios de futebol, academia, condomínios;
  • Funcionários terceirizados de limpeza urbana.

🚫 Já a limpeza de banheiro de uso doméstico (dentro de casa ou apartamento), geralmente não dá direito ao adicional, pois não é considerada exposição habitual a agentes nocivos, pela baixa circulação de pessoas.

Embora a lei não defina um número exato, parte das turmas do Tribunal Trabalhista mais importante do nosso país o TST tem entendido que a limpeza de banheiros e coleta de lixo de sanitários utilizados por pelo menos 30 pessoas por dia pode existir o direito ao adicional de insalubridade.

E se a empresa não paga o adicional de insalubridade?

Se a empresa não paga, o trabalhador pode cobrar na Justiça todos os valores retroativos, referentes aos últimos cinco anos de trabalho.

Para isso, é importante reunir provas, como:

  • Descrição da função na carteira de trabalho;
  • Testemunhas que confirmem a limpeza de banheiros coletivos;
  • Contracheques sem o adicional;
  • Fotos do local de trabalho (se possível).

Durante o processo, o juiz determina uma perícia técnica, feita por um perito, que avalia o ambiente e confirma se o trabalho é insalubre.
Se o laudo pericial confirmar, o trabalhador ganha o direito ao pagamento de todo o adicional atrasado.

Vale a pena entrar com processo para pedir insalubridade?

Sim, vale muito a pena.
Muitos trabalhadores passam anos limpando banheiros coletivos sem receber nada a mais por isso — e quando entram na Justiça, recebem valores significativos de adicional e reflexos (13º, férias, FGTS, etc.).

O adicional de insalubridade pode representar milhares de reais em atrasados, dependendo do tempo de serviço e do grau reconhecido pelo perito.
Além disso, não é necessário estar trabalhando na empresa para fazer o pedido — é possível cobrar mesmo depois da demissão.

Como funciona para ganhar o adicional na Justiça

  1. Procure um advogado trabalhista especializado;
  2. O advogado vai entrar com uma ação pedindo o reconhecimento da insalubridade;
  3. O juiz marca uma perícia técnica no local de trabalho;
  4. O perito avalia as condições e determina se a função é insalubre;
  5. Se confirmado, o juiz condena a empresa a pagar o adicional e todos os reflexos.

💡 Dica: quanto mais informações e provas você tiver sobre suas atividades, maior a chance de êxito no processo.

Conclusão

Quem limpa banheiro de uso coletivo tem sim direito a receber adicional de insalubridade, normalmente em grau máximo 40% e pode cobrar na Justiça se a empresa não paga.
O trabalhador tem direito a valores retroativos de até cinco anos, e o processo costuma ser rápido, especialmente quando há acordo.

Se você trabalha limpando banheiros e nunca recebeu esse adicional, procure um advogado trabalhista — esse direito é seu e vale a pena buscar na Justiça.

Rodrigo Galati
Advogado trabalhista — Especialista em Direito e Processo do Trabalho
Sócio do escritório Galati Advocacia, já atuou em centenas de processos envolvendo insalubridade para quem limpa banheiro.

Rodrigo Galati

Advogado trabalhista — Especialista em Direito e Processo do Trabalho. Sócio do escritório Galati Advocacia.